Blog do Jornal Dois Irmãos


12 de fev. de 2014

Caminhoneiro de Dois Irmãos morre em acidente em Içara

No início da manhã dessa quarta-feira, dia 12, um jovem de 27 anos, residente de Dois Irmãos, faleceu após se envolver em um acidente de trânsito, em Içara, no sul de Santa Catarina. Diego Benetti veio a óbito depois que o caminhão conduzido por ele, carregado de eletrodomésticos, capotou e pegou fogo no Km 385 da BR-101, por volta das 6h.
De acordo com informações preliminares dadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) ao site G1, o veículo conduzido por Diego teria colidido contra outro caminhão, e, com isso, o jovem teria perdido o controle do veículo que caiu em uma vala na marginal da rodovia. Além disso, informações publicadas no site informavam que o corpo do rapaz foi encontrado a alguns metros do local do acidente, com queimaduras em partes dele. Até o fechamento dessa edição, as causas estavam sendo apuradas pelas equipes que atenderam a ocorrência, e informações ainda não davam conta se o corpo teria sido arremessado do veículo com o impacto ou se o jovem teria saído com vida, mas não resistido aos ferimentos. O Jornal Dois Irmãos tentou contato com a PRF de Araranguá, que atendeu à ocorrência, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.
Diego Benetti
O jovem caminhoneiro trabalhava para a empresa Foba Transportes e Representações Ltda, de Dois Irmãos, há cerca de dois meses. “Quando ele pôde trocar a categoria da carteira, ele até me pediu dinheiro emprestado, e eu ajudei, porque sabia que era o que ele gostava e queria trabalhar nisso”, relembra a mãe Rozane Maria Benetti. “Era o sonho de infância dele”, completou o amigo Vando Führ. Ainda segundo a mãe do rapaz, Diego deixou Dois Irmãos a trabalho no último dia 3, a caminho de São Paulo. De lá, ele partiu para Blumenau, onde realizou um carregamento de eletrodomésticos, permanecendo na cidade por cerca de três dias, antes de seguir viagem para Porto Alegre para descarregar e, então, voltar a Dois Irmãos. Além da mãe, o jovem deixa enlutados: o pai Delomar e o irmão Douglas, que também é caminhoneiro e trabalha na mesma empresa que Diego. “Quando o pessoal da empresa veio aqui em casa e eu saí para ver o que era, a primeira coisa que perguntei foi: ‘Qual?’, pois meus dois filhos estavam na estrada”, conta a mãe, ainda em choque. “Por volta desse horário em que aconteceu o acidente, eu perdi o sono, e precisei levantar da cama. Não sabia o que era, mas estava angustiada”, completa ela. 
Além dos familiares, Diego deixa enlutada a companheira Dana Michele Staudt, com quem mantinha um relacionamento de 11 anos, residindo juntos há seis. Até o fechamendo da edição, às 16h30, não havia previsão para a chegada do corpo a Dois Irmãos.

Garota Verão tem eliminatória regional nesta quinta-feira

Adrieli Ritterbusch, 19 anos, é a representante de Dois Irmãos


O sonho de ser a representante do verão está cada vez mais próximo. O concurso do Garota Verão chega a etapa regional Vale do Sinos. 
Adrieli Ritterbusch, 19 anos, é a Garota Verão Dois Irmãos 2014 e está ansiosa para a etapa que poderá levá-la para a grande final do concurso em Capão da Canoa, que deverá reunir 40 meninas no próximo dia 22 de fevereiro.
A etapa regional é nesta quinta-feira, às 21h, no Parque Almiro Grings, da Oktoberfest, em Igrejinha.  A expectativa é muito grande, desde que ela conseguiu passar pela etapa municipal. 
- Minha vida está focada nesta nova etapa, que é a regional dos Vales. A vontade de representar bem Dois Irmãos é um sentimento maravilhoso e fico ainda mais feliz tendo o apoio de todos da cidade. Com certeza, será uma etapa muito difícil, todas as candidatas são lindas e cada possui um brilho especial, mas eu aposto que quando fizemos tudo com amor, carinho e dedicação sempre surge algo de bom e ter a oportunidade de mostrar um pouco de Dois Irmãos, levando seu nome é realmente uma grande honra - diz Adrieli.

Confira um bate-papo com a bela representante dois-irmonense sobre seus preparativos.

Como estão os preparativos para a próxima etapa do concurso Garota Verão?
Adrieli: A preparação começou antes mesmo da etapa municipal e intensificada agora para a regional. Sempre pratiquei exercício e jogo voleibol desde meus 10 anos de idade e isso sempre me ajudou para ter um corpo saudável, sem contar que é um esporte que amo. Além disso faço academia três vezes por semana e passei a cuidar mais da alimentação, pratos com muita salada e frutas e muita água. E claro, nunca deixei de comer porque isso é prejudicial para nossa qualidade de vida. Posso dizer, que todo cuidado físico é muito importante, mas nada como se preparar psicologicamente e cultivar acima de tudo doses de humildade, carinho, simpatia que é a maior beleza que podemos ter, nossa beleza interior.

Por que quer ser Garota Verão?
Adrieli: O Garota Verão é um grande sonho, e ter a oportunidade de levar meu município para a final em Capão da Canoa é um dos meus objetivos. Além disso, o concurso abre muitas portas para o mundo da moda e publicidade. Quero aproveitar ao máximo e fazer meu melhor para realizar meus objetivos futuros.

Amigos e familiares já estão na torcida?
Adrieli: Haverá um ônibus que levará a torcida para Igrejinha, nesta quinta-feira, disponibilizado gratuitamente pela prefeitura municipal, que está me proporcionando total apoio. O transporte está quase lotado, e a torcida será grande e já está bem preparada com muitos balões, banners, apitos e muito barulho, estou contando com o apoio de minha família, amigos e todos da cidade. Há um grupo aberto e um evento no Facebook da organização (Torcida Garota Verão - Adri) quem quiser pode entrar e falar comigo por lá ou com a Jéssica Collet que está me ajudando a organizar, mas não possui muitas vagas disponíveis, mas todos que quiserem ir prestigiar o evento estarão sendo vendidos ingresso lá no local, no valor de R$ 15,00. Conto com o apoio de todos da cidade e estou muito feliz por representar Dois Irmãos.

11 de fev. de 2014

Já foram mais de 360 carteiras de trabalho em 2014

Com o início do novo ano, é natural que as pessoas façam novos planos. Algumas se planejam para adquirir um novo bem, fazer uma viagem ou, até mesmo, conseguir um novo emprego. Nesse último caso, englobam-se aqueles que estão correndo atrás de uma primeira oportunidade, jovens que acabam de completar 14 anos. Nesse processo, é fundamental saber que, ao seu lado, eles têm uma garantia de que seus direitos, como férias, aposentadoria e 13º, vão estar assegurados através da Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).
Em Dois Irmãos, o documento é confeccionado no mesmo espaço onde funciona a Junta de Serviço Militar do município, junto ao prédio da prefeitura. De acordo com a responsável pela confecção das carteiras no local, Angelina Ritter, desde o início desse ano mais de 360 documentos desse tipo já foram confeccionados. “Apenas num dia foram feitas mais de 50. Agora já está mais calmo, temos realizado uma média de 10 documentos por dia”, destaca ela. 
Apesar de não haver uma triagem específica contabilizando quantas carteiras representam primeira ou segunda via, Angelina estima que dessas 360, cerca de 160 pessoas fizeram o documento pela primeira vez em Dois Irmãos. “Acredito que esse grande número esteja relacionado, principalmente, ao fato de, na época, estarem abertas as inscrições para o Programa Jovem Aprendiz”, completa a funcionária.


10 de fev. de 2014

Você fala hunsrik ou alemão?

Xprëche sii Hunsrik Xprooch oder deutsch?


Solange com os livros publicados pelo Projeto Hunsrik








Baumschneiss, Reutersberg e Teewald, estes nomes em alemão são os diferenciais destas três cidades, Dois Irmãos, Morro Reuter e Santa Maria do Herval, respectivamente. Na verdade, o diferencial é que muitas pessoas ainda cultivam a língua trazida pelos imigrantes germânicos vindos em meados de 1800 para a região. A língua Hunsrik é a herança de muitos antepassados e tão importante quanto outra língua. Prova disso, é que foi transformada em Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul, em 2012.

Foi pensando justamente na importância da preservação desse idioma que, em 2003, teve início o projeto de pesquisa Hunsrik, que começou a ser desenvolvido em Santa Maria do Herval. O objetivo era criar um código de escrita para a língua e também preservar a cultura e o idioma junto às crianças e suas famílias, assim como nas comunidades de falantes da língua. As pesquisas do Projeto Hunsrik ocorrem no Museu Municipal de Santa Maria do Herval. De acordo com umas das idealizadoras do projeto, Solange Maria Hamester Johann, o hunsrik é uma língua que vem se renovando e sua a valorização é visível. “Tem fanpage (Plôs Tum Háide), com mais de 10.000 seguidores, programas de rádios em várias regiões do país, assim como o Projeto Hunsrik, que tem um comentário semanal na Rede AHAI de Rádios, distribuído para 26 emissoras de rádio em 4 estados (RS,SC,PR e ES)”, afirma Solange, ao destacar que esses são apenas alguns exemplos que reforçam que os jovens estão “tomando posse de sua língua mãe”, apropriando-se de sua cultura e valorizando-a.
“A batalha é grande para incluir o idioma no currículo dos alunos de pré ao 5º ano, nos municípios em que há falantes, não concorrendo, assim, com o aprendizado do inglês e do alemão, que é feito a partir do 6º ano”, completa Solange.

Página do livro Hunsrück-Sprüche
Hunsrik é a segunda língua mais falada no Brasil
Muitas pessoas falam que o dialeto é indecifrável para brasileiros e alemães. Mas segundo Solange, isso é preconceito linguístico. “Mais de 3 milhões de brasileiros falam o Hunsrik. Nós somos a 2ª língua mais falada no Brasil”, diz ela.“Viajamos com um grande grupo aqui da cidade para o Hunsrück e Sul da Alemanha. No Hunsrück parecia que estávamos em casa, falando com os vizinhos. As pessoas de lá choravam de emoção ao nos ouvirem falar. No sul, precisávamos ajustar apenas algumas palavras para nos entendermos perfeitamente ”,conta a pesquisadora, relatando que muitas pessoas não queriam acreditar que eles eram brasileiros.

Livro Hunsrück-Sprüche é uma coletânea
de versos, rimas e ditados em Hunsrück
Hunsrück-Sprüche
A ideia de traduzir o livro Hunsrück-Sprüche, da autora Berti Weber, surgiu em meados de 2011, quando Solange recebeu a visita dos professores e linguistas Edmund Wild e da esposa, da Alemanha, que vieram especialmente para conhecer o Projeto Hunsrik, acompanhados do professor Osvino Toillier. O casal de linguistas ficou tão encantado pelo projeto, que tão logo chegaram de volta à Alemanha, e enviaram o livro de Berti. “Assim que recebemos o livro original já digitalizado, transcrito para o Hunsrück da Alemanha 
e para o alemão padrão por Wild, vislumbramos a possibilidade de publicá-lo aqui, com o nosso código de escrita. Os trâmites legais e o trabalho de tradução levaram quase um ano”, relata ela, ao relembrar que a edição brasileira foi lançada em 2012. Com 80 páginas, o livro é uma coletânea de versos, rimas e ditados em Hunsrück, publicado por Berti em 1931, que, no início do século XX, percorreu a região de Kreuznach, no Hunsrück, conversando com as pessoas, para coletar pérolas da cultura Hunsrück.“Muitos desses versos foram reconhecidos por pessoas daqui do Estado, o que prova nossa forte ligação cultural com o Hunsrück, na Europa”,completa Solange. O livro já foi traduzido para 15 línguas.

DE OLHO NAS RUAS






Placas de sinalização são os principais alvos de vândalos na cidade. No bairro Navegantes, por exemplo, não passe da ponte sem ler a placa. O ponto no “i” talvez não faça tanta diferença, mas sem o “i” pode ser mal educado


Na BR-116, no Travessão, nem as placas de sinalização de trânsito foram poupadas de serem pichadas pelos vândalos

Falta de educação ou de alfabetização no São João?

Em outros pontos da BR-116, o capim está tomando conta




7 de fev. de 2014

VIDA DE SURFISTA

O surfistaThiago Rausch, 27 anos, é natural de Dois Irmãos, mas hoje se define como um cidadão do mundo. Nesta entrevista, ele conta sobre sua vida, como nasceu sua paixão pelo surf, sua rotina e sonhos. Além disso, revela sua nova empreitada: a produção de um filme contando um pouco de sua trajetória, motivando outras pessoas a também correrem atrás dos seus sonhos.

Como nasceu o seu interesse pelo surf? 
No ano que nasci minha família comprou uma casa em Mariluz, por causa disso tive a benção de passar todos os verões da minha vida perto do mar. Meu pai e minha mãe adoram praia e sempre estávamos na beira do mar, o verão todo, não lembro exatamente a época, mas as lembranças que tenho são de ver meu irmão Guto Rausch e meu primo Ronaldo Rissi brincando com planondas de isopor no rasinho. Eu sempre ia atrás deles. Desde então, a alegria, a paz e a sensação de liberdade que eu sentia quando estava dentro do mar, me fizeram ver a vida com outros olhos, mesmo muito pequeno, lá no fundo algo me dizia que era exatamente aquilo ali que eu queria.

Em que momento você decidiu fazer do surf, até então um passatempo, sua atividade profissional? 
Foi aos 16 anos de idade. Mesmo muito novo eu sentia que algo estava errado “comigo”. O dia a dia estudando entre Dois Irmãos e Novo Hamburgo, a infância e a adolescência aqui na cidade me trouxeram muitas coisas boas, mas tinha algo maior que me fazia mal e aos poucos comecei entender. Era o capitalismo selvagem, os preconceitos, os status sociais e toda essa “coisa” de se valorizar apenas quem tem sobrenome forte e dinheiro na conta, que é um problema em nossa região e no mundo todo, que me faziam uma pessoa triste e inconsciente perante meus valores reais. Na praia eu sempre estava em paz e surfando com meus amigos, alguns deles não tinham chuveiro quente no inverno e nem geladeira em casa, mas estavam sempre felizes. Isso me fez ver que a felicidade não se compra, ela está dentro de nós. Arrumei um emprego numa fábrica de acessórios de surf de um amigo meu, “enrolei” meu pai com o argumento de ter arranjado um trabalho e de que acabaria o colégio, arrumei as malas e fui morar em Mariluz, sozinho, na 
casa da família aos 16 anos. De lá pra cá, nunca mais parei de trabalhar com o surf e hoje, depois de muito sonhar e batalhar, me tornei surfista profissional e surf repórter, unindo o útil ao agradável dentro da mesma paixão.

Depois que essa decisão foi tomada, quais mudanças ocorreram na sua vida? 
Posso dizer que mudou da água para o vinho. Recebi uma educação exemplar dos meus pais, com muito amor e ótimos valores, mas o que eu aprendi na vida, lutando para realizar meu sonho de viver na praia e surfando, foi o que trouxe sentido e uma satisfação enorme para minha vida. Eu trabalhava muito na produção dos acessórios de surf, mas a certeza de poder surfar depois do expediente ou ao meio-dia junto com meu patrão, me faziam superar qualquer falta de dinheiro e saudades das comodidades do lar e do colo dos meus pais.

Como a sua família e amigos reagiram a sua decisão? 
Então, depois de passar os verões na praia, antes de ir morar lá, eu voltava para o ano letivo na Escola Estadual 10 de Setembro, e passava o ano inteiro sonhando com os momentos vividos na praia, era algo muito forte e real, que realmente mexia comigo. Aos 14 anos de idade, sem modéstia, eu era um dos melhores jogadores da nova geração da cidade, era destaque no time Mirim do União ao lado de grandes amigos como o Pinho, Sholinha, Vinicius Lauxen, Taffarel e Gabriel Hoppen e muitos outros. Tínhamos um time que acredito ter sido um dos mais vitoriosos da história da região. Muitos queriam me levar para fazer testes no Inter e no Grêmio, mas minha paixão era o surf e aos poucos fui me desligando do futebol e indo mais e mais pra praia. Quando decidi mesmo largar o futebol, meu pai quase teve um chilique, pois ele realmente acreditava em meu potencial e acordava todos os domingos muito cedo, para me levar aos jogos. Ele se “empanturrava” de orgulho com minhas atuações e gols, doeu muito mais nele do que em mim essa decisão. Meus amigos não acreditavam, iam me buscar em casa para jogar os campeonatos e eu não queria mais saber de jogar bola, o surf estava dentro de mim e era muito mais intenso que o futebol, meu quarto tinha fotos de surf até no teto, recortava das revistas e colava por tudo. A maioria achou que eu estava louco, já que o surf, numa cidade como Dois Irmãos, tinha aquela imagem de ser algo fora dos padrões, coisa de vagabundo e drogado, como ouvi muito por aí. Mas minha família e amigos me apoiaram, quando viram que eu realmente amava muito aquilo ali. 

Através desse esporte, você já participou de competições. Quais são e onde foram?
Na verdade nunca gostei muito de competições, porque elas destoam dos reais valores do surf, que é surfar e se divertir com os amigos em contato com a natureza, não é necessário ser melhor do que ninguém para curtir o surf, é apenas contigo e o oceano. Corri alguns poucos campeonatos, nunca me dando muito bem, mas em 2012, convencido por um amigo, participei de um durante uma viagem ao Peru, acabei vencendo no meio dos nativos e na casa deles, foi muito emocionante vencer caras bem melhores que eu e em outro país, mas encerrei minha carreira de competidor ali. Atualmente, onde você está residindo? Hoje  me  considero  um  cidadão  do  mundo,  fico  um  pouco  em Dois irmãos, um pouco em Mariluz, um pouco em Santa Catarina e a maior parte do tempo viajando pro exterior. Depois que larguei meu emprego na empresa de acessórios de surf - vão fazer quatro anos - tenho viajado sempre, com ou sem dinheiro sempre dou meu jeito.
Viajar sem dinheiro, como consegue? Já passou alguma roubada por isso? 
Ótima questão. Não sou mágico e nem traficante de nada, apenas simplifico as coisas. Parto com a passagem parcelada pela Ciao Viagens, pago como conseguir, o que é uma ajuda essencial. A partir daí busco nos meus apoios produtos, ajudas de custo e chego no país com alguma estrutura, quando a grana acaba, começo a vender tudo, prancha, roupas e tudo que puder vender para continuar o sonho. Sobre as roubadas, são inúmeras. Em 2012, estava indo sozinho do México para o Peru com apenas US$80,00 no bolso. Por alguma razão a taxa das pranchas havia dobrado, de US$50,00 foi para US$100,00. Argumentei, quase chorei e o cara da Cia Aérea não se comoveu nem um pouco comigo. Eu estava em outro país, sem grana, sem cartão de crédito e correndo o risco de perder minha bagagem, ou a passagem. Buscando alguma alternativa, ofereci meu relógio e o tênis que eu estava usando, por preço de banana, para o pessoal da fila do cheking, mas ninguém quis e ainda ficaram me olhando com uma cara de incrédulos. Daí então se aproximou uma senhora mexicana e me perguntou o que estava acontecendo, expliquei a situação e no final das contas ela pagou os US$100,00 e nem quis os meus US$80,00, apenas disse para mim seguir meu caminho e continuar sendo o guri bom que eu aparentava ser. Cheguei no Peru, passei um mês surfando altas ondas e venci o campeonato local que mencionei antes. Deixei minhas pranchas para pagar a pousada e voltei para o Brasil rico, só com a mochila e o troféu de campeão.

Como é o dia a dia de um surfista? 
Um surfista profissional deve viajar muito, surfar mais ainda, treinar a parte física, se alimentar bem, ser saudável, cuidar da sua imagem e ter boas relações com a mídia e patrocinadores. Pela falta de um patrocínio forte, ainda não consigo fazer tudo isso de uma maneira profissional, pois eu não vivo só na praia, estou sempre rodando e isso me traz dificuldades para se ter uma rotina, porém, estou perto de 
conseguir me dedicar 100% ao surf.

E a preparação física para encarar as ondas? 
Sempre que estou aqui na cidade estou treinando na UF7 Academia, fazendo treinamentos funcionais, que me dão um preparo excelente para enfrentar qualquer condição de mar, além de correr e fazer quiropraxia com a Juliana Pinheiro.

Quais são seus patrocinadores? 
Na verdade estou sem um patrocinador principal que me pague um salário, vida de surfista é simples, mas custa caro pelas viagens. Tenho alguns apoios que ajudam a me virar, são eles: UF7 Academia, Ciao Viagens e Turismo, Free Surf, Tools for Surf, Trench Town Surf Boards, Extreme Board Shop, ECOXcam, Pico da Tribo, Yazigi Dois Irmãos e Quiropraxia Juliana Pinheiro.

Além de se dedicar a esse esporte, você também escreve a respeito. O que você aborda nos seus textos? 
Gosto muito de escrever sobre tudo que envolve o surf na sua essência, viagem, camaradagem, ondas grandes, campeonatos, bastidores e etc, porém, alguns textos são basicamente a expressão do que já vivi e tenho no meu coração, tentando inspirar os leitores a acreditarem nos seus próprios sonhos e em si mesmos, como eu fiz anos atrás e hoje me considero uma pessoa realizada, mesmo sem ter muito dinheiro na minha conta. Acredito que descobri o caminho da felicidade, que é buscar a paz e a alegria naquilo que mais amamos, desapegando-se de bens materiais. Sinto que é meu dever passar isso para as pessoas, pois vejo uma sociedade mais preocupada com o “ter” e muito pouco com o “ser”. 

Para conferir seu trabalho, onde procurar? 
Hoje tenho matérias em diversos canais da mídia brasileira, sou correspondente dos maiores sites de surf do Brasil, o www.waves.com.br, do portal terra, o www.ondasdosul.com.br, que é o maior do RS e também escrevo para revistas, sou colunista da Revista Polvo, de Novo Hamburgo, e faço alguns trabalhos para a Revista Fluir, a mais importante do Brasil. Digitando meu nome no Google, aparecerão links de muitas matérias que tenho feito por aí, além de vídeos surfando e no meu facebook, claro, onde posto diariamente sobre tudo que venho “aprontando”. 

Quais são seus planos para o futuro? 
Primeiro é arranjar um patrocínio principal e poder continuar surfando ao redor do mundo, produzindo fotos e vídeos de qualidade para meus patrocinadores, gerando visibilidade para eles e para mim. Também desenvolvi um projeto chamado “Pampa Barrels”, que será uma competição interativa de melhores fotos e vídeos de surf dentro do RS, visando valorizar e fomentar o surf dentro do estado. Consegui fechar a apresentação deste projeto com a Billabong, uma das maiores marcas de surf do mundo, e ele está bombando nas redes sociais, com muita dedicação estou produzindo algo que ficará na história do surf gaúcho.

Você está em Dois Irmãos a passeio? Fica na cidade até quando? E depois, vai para onde? 
Estou passando um tempo aqui com minha família, na verdade entre Dois Irmãos e Mariluz, porque com esse calor, tá complicado de ficar na cidade, mas tenho tido inúmeras reuniões para definir meu futuro e de meus projetos, então o dever me faz estar mais por aqui agora e, consequentemente, surfando menos. Mas é por uma boa causa, fico até abril nessa rotina de praia e cidade, depois me mando pro México, fico 5 meses no  calor  das  ondas  mexicanas.  Ficarei  produzindo  meu  filme, pegando onda e administrando meu projeto Pampa Barrels por internet, já que é uma competição interativa e dura o ano todo.

Você está produzindo um filme. Como surgiu a idéia? 
A ideia do filme é um sonho antigo, que hoje está se tornando realidade graças aos contatos que tive com pessoas que conheci ao longo da minha caminhada. Muita gente me incentivou a contar minha história, agora que consegui que um amigo faça a produção, chegou a hora. Melhor de tudo que não vou precisar atuar, apenas ser eu mesmo.

Sobre o que vai tratar? 
Basicamente sobre tudo que falei nas respostas acima. A história irá contar como um guri do interior saiu de casa, ainda menor de idade e com o sonho de se tornar um surfista de verdade, conseguiu chegar num dos lugares mais perigosos do mundo do surf, conquistando respeito e reconhecimento pela sua atitude dentro do mar. Mas, o que mais me motiva a produzir este filme, é ter a oportunidade de passar a mensagem de 
que tudo que sonhamos pode virar realidade e só depende de nós, basta viver com paixão, dedicação e no caminho do bem.

Como  está  o  cronograma?  O  que  você  já  tem  e quais são as próximas etapas? 
No momento estou buscando patrocinadores, para poder produzir algo de alto nível e não precisar vender todas as minhas coisas para pagá-lo, como normalmente faço quando invisto em algo. As filmagens já começaram, tenho um bom material da última temporada mexicana e algumas ondas do Rio Grande do 
Sul, também já estou coletando depoimentos de pessoas  que  tiveram  alguma  influência  em  minha  vida, 
depois sigo pro México para finalizar a produção, que será lançada final do ano no MIMPI Festival, em Porto Alegre, o maior festival de filmes de surf e skate do sul do país e, claro, em algum lugar aqui em Dois Irmãos.

Deixe uma mensagem para os leitores do JDI.
 Gostaria de dizer para todos que tenham um sonho, que façam dele a razão de suas vidas, pois a aventura 
é o que faz o nosso coração bater mais forte, como o sangue que corre em nossas veias, que é de colonizadores alemães que vieram de longe, em condições totalmente adversas, porém, a história diz que deu certo.

Assista o preview do filme do Thiago no link: http://vimeo.com/81981282
Interessados em ajudar o surfista dois-irmonense nesta trajetória de sucesso, podem enviar um email para thiagomariluz@hotmail.com 

6 de fev. de 2014

Casal ministrará aulas de música a domicílio

Unidos pela mesma paixão: a música. 

O casal Ramon Stein, 27 anos, e Luísa Strelow Rocha Stein, 20, ministrarão aulas de música a domicílio em Dois Irmãos. Eles se conheceram há cerca de dois anos e meio nos corredores da universidade, casaram-se e vieram morar em Dois Irmãos há duas semanas. Eles ministrarão aulas de teoria musical, piano, flauta doce, clarinete e teclado. “Escolhemos Dois Irmãos por ser uma cidade pequena e pacata. Convidamos todos os amadores da música ou que querem aprender a tocar um instrumento a nos contatar e fazer um curso”,convidam Ramon e Luíza, destacando que o plano para o futuro é montar uma escola em Dois Irmãos. O casal também tem o sonho de ver apresentações de orquestras e recitais no Espaço Cultural Antiga Matriz de São Miguel.

Natural de Horizontina, Ramon veio para Dois Irmãos com 11 anos de idade, quando começou sua carreira artística na antiga Orquestra Cantares. Ele é primeiro clarinete e coordenador das madeiras da Orquestra Sinfônica da Universidade de Caxias do Sul (UCS), além de diretor artístico da Orquestra de Sopros de Novo Hamburgo. É bacharel em Música, com habilitação em Clarinete, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Atualmente, cursa Especialização em Música: Ensino e Expressão, na Universidade Feevale. Ramon foi um dos vencedores do Concurso Jovens Solistas da OSPA (Orquestra Sinfônica de Porto Alegre), nos anos 2004 e 2006, interpretando o Concertino para Clarinete e Orquestra, C. M. von Weber, e o Concerto para Clarinete e Orquestra de W. A. Mozart, respectivamente.

Luísa estudou piano e flauta doce no Conservatório Heitor Villa-Lobos, de Taquara, e é licenciada em música pela UFRGS. Neste ano, ingressou no bacharelado em piano, também na UFRGS, e é professora de piano na Escola de Música Crivellaro, de Porto Alegre. Além disso, participa de concertos, musicais, como instrumentista e pianista.